domingo, 17 de agosto de 2014

Dia dura apenas 8 horas em exoplaneta 16 vezes maior que a Terra

Observações do Very Large Telescope (Telescópio Muito Grande, VLT) do European Southern Observatory (ESO) – o maior conjunto de telescópios ópticos do mundo – determinaram, pela primeira vez, a taxa de rotação de um exoplaneta. Foi descoberto que o Beta Pictoris b tem um dia que dura oito horas, o que é mais rápido do que qualquer planeta do sistema solar. O exoplaneta Beta Pictoris b orbita a estrela visível a olho nu Beta Pictoris, que fica a cerca de 63 anos-luz da Terra, na constelação de Pictor (que significa “cavalete do pintor”). Este planeta foi descoberto há quase seis anos e foi um dos primeiros exoplanetas a serem diretamente fotografados. Ele orbita sua estrela a uma distância de apenas oito vezes a da Terra ao Sol, o que o torna o exoplaneta mais próximo da sua estrela a ter sido reproduzido imageticamente de forma direta. Usando o instrumento CRICES do VLT, uma equipe de astrônomos holandeses da Universidade de Leiden e do Instituto Holandês de Pesquisas Espaciais (SRON) descobriram que a velocidade de rotação equatorial do exoplaneta Beta Pictoris b é quase 100 mil km/h. Em comparação, o equador de Júpiter tem uma velocidade de cerca de 47 mil km/h, enquanto a Terra gira a apenas 1.700 km/h. O Beta Pictoris b é mais de 16 vezes maior e tem uma massa 3 mil vezes maior do que a Terra, e um dia no planeta dura apenas 8 horas. “Não se sabe por que alguns planetas giram rápido e outros mais lentamente”, diz Remco de Kok, coautor do estudo. “Entretanto, esta primeira medição de rotação de um exoplaneta mostra que a tendência observada no sistema solar, onde os planetas mais massivos giram mais rápido, também vale para exoplanetas. Esta deve ser alguma consequência universal da forma pela qual os planetas se formam”. O Beta Pictoris b é um planeta muito jovem, com apenas cerca de 20 milhões de anos (em comparação com 4,5 bilhões anos da Terra). Ao longo do tempo, é esperado que ele esfrie e encolha, o que vai fazê-lo girar ainda mais rápido. Por outro lado, outros processos que mudariam a rotação do planeta podem estar em jogo. Por exemplo, a rotação da Terra está desacelerando ao longo do tempo devido às interações de maré com a nossa lua. Os astrônomos fizeram uso de uma técnica precisa chamada espectroscopia de alta dispersão para dividir a luz em suas cores constituintes – diferentes comprimentos de onda do espectro. O princípio do efeito Doppler lhes permitiu utilizar a alteração no comprimento de onda para detectar que diferentes partes do planeta estavam se movendo a velocidades diferentes e em sentidos opostos em relação ao observador. Ao remover muito cuidadosamente os efeitos da estrela-mãe (muito mais brilhante), foram capazes de extrair o sinal de rotação do planeta. “Nós medimos os comprimentos de onda da radiação emitida pelo planeta com uma precisão de uma parte em cem mil, o que torna as medições sensíveis ao efeito Doppler, que pode revelar a velocidade de objetos que as emitem”, explica Ignas Snellen, o principal autor do estudo. “Usando esta técnica, nós descobrimos que diferentes partes da superfície do planeta estavam se movendo ao nosso encontro ou para longe de nós em velocidades diferentes, o que só pode significar que o planeta está girando em torno de seu eixo”. Esta técnica está intimamente relacionada com o registro de imagens de Doppler, que tem sido utilizado há várias décadas para mapear as superfícies das estrelas. O giro rápido de Beta Pictoris b significa que, no futuro, será possível fazer um mapa global do planeta, mostrando possíveis padrões de nuvens e grandes tempestades.

Fonte: Hypescience

Estrela “irmã” do nosso Sol é encontrada

Uma equipe de pesquisadores liderada pelo astrônomo Ivan Ramirez, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, identificou o primeiro “irmão” do Sol – uma estrela que quase certamente nasceu a partir da mesma nuvem de gás e poeira que a nossa fonte de calor. Métodos da equipe de Ramirez vão ajudar os astrônomos a encontrar outros irmãos solares, o que poderia levar a um entendimento de como e onde o nosso Sol foi formado, e como nosso sistema solar se tornou propício para a vida. “Queremos saber onde nascemos. Se pudermos descobrir em que parte da galáxia o Sol foi formado, podemos restringir as condições do início do sistema solar. Isso pode nos ajudar a entender por que estamos aqui”, explica Ramirez. Além disso, há uma chance “pequena, mas não inexistente”, que essas estrelas irmãs do Sol possam hospedar planetas que abrigam vida. Em seus primeiros dias no conjunto de material cósmico que lhes deu origem, colisões podem ter mandado para fora pedaços de planetas e esses fragmentos podem ter viajado entre sistemas solares, e talvez até mesmo podem ter sido responsáveis por trazer a vida primitiva para a Terra. “Então, pode-se argumentar que os irmãos solares são candidatos chave na busca por vida extraterrestre”, sugere Ramirez. O irmão do Sol que sua equipe identificou é chamado HD 162826, uma estrela com 15% mais massa do que o nosso astro-rei, localizada a 110 anos-luz de distância, na constelação de Hércules. A estrela não é visível a olho nu, mas pode ser vista facilmente com binóculos de baixa potência, não muito longe da estrela brilhante Vega. A equipe identificou o HD 162826 como irmão do nosso Sol seguindo 30 possíveis candidatos encontrados por vários grupos ao redor do mundo. A equipe de Ramirez estudou 23 dessas estrelas a fundo com o telescópio Harlan J. Smith, no Observatório McDonald, no Texas, e as estrelas restantes (visíveis apenas do hemisfério sul) com o telescópio Clay Magellan, no Observatório Las Campanas, no Chile. Todas estas observações usaram espectroscopia de alta resolução para obter uma compreensão profunda da composição química das estrelas. Mas vários fatores são necessários para realmente definir um irmão solar, diz Ramirez. Além da análise química, sua equipe também incluiu informações sobre as órbitas das estrelas – onde foram e para onde elas estão indo em seus caminhos ao redor do centro da Via Láctea. Considerando tanto a química quanto as órbitas, eles diminuíram a quantidade de candidatos até o HD 162826. Ninguém sabe se esta estrela hospeda quaisquer planetas com vida. Mas por um “golpe de sorte”, afirma Ramirez, a equipe de busca planetária do Observatório McDonald vem observando o HD 162826 por mais de 15 anos. Estudos realizados por Michael Endl e William Cochran, da Universidade do Texas, bem como os cálculos de Rob Wittenmyer da Universidade de New South Wales, em Sidney, na Austrália, descartaram quaisquer planetas massivos orbitando próximos à estrela (os chamados Júpiters quentes), e indicam que é improvável que um análogo de Júpiter orbite a estrela. Os estudos não descartam a presença de planetas terrestres menores. O achado de um único irmão solar é intrigante, mas Ramirez destaca que o projeto tem um objetivo maior: criar um roteiro para identificar irmãos solares, em preparação para o dilúvio de dados esperados em breve a partir de pesquisas como a “Gaia”, a missão da Agência Espacial Européia que vai criar o maior e mais preciso mapa 3D da Via Láctea. Os dados que em breve serão disponibilizados por Gaia “não vão ser limitados à vizinhança solar”, explica Ramirez, observando que a pesquisa irá fornecer distâncias precisas para um bilhão de estrelas, o que permite aos astrônomos procurar irmãos solares daqui até o centro de nossa galáxia. “O número de estrelas que podemos estudar aumenta por um fator de 10.000″, celebra o pesquisador. Ele diz que o roteiro criado por sua equipe irá acelerar o processo de “peneirar” o campo para possíveis irmãos solares. “Não precisaremos mais investir tanto tempo em analisar todos os detalhes em cada estrela”, diz ele. “Poderemos nos concentrar em certos elementos químicos fundamentais que vão ser muito úteis”. Estes elementos são aqueles que variam muito entre as estrelas, que no geral têm composições químicas muito similares. Estes elementos químicos altamente variáveis ​​são em grande parte dependentes de onde na galáxia a estrela foi formada. A equipe de Ramirez identificou o bário e o ítrio como particularmente úteis. Uma vez que muitos mais irmãos solares sejam identificados, os astrônomos estarão um passo mais perto de saber onde e como o Sol foi formado. Para alcançar esse objetivo, os especialistas em dinâmica desenvolverão modelos que reproduzirão as órbitas de todos os irmãos solares conhecidos para descobrir onde eles se cruzam, achando então o seu local de nascimento.

Fonte: Hypescience

Exoplanetas começam a ser fotografados diretamente

Você já deve ter-se acostumado a ouvir sobre a descoberta de exoplanetas e ver suas "visões artísticas", quadros idealizados produzidos digitalmente. Agora você vai começar a vê-los em imagens reais. Um gigante gasoso é a mais recente adição à pequena lista de exoplanetas descobertos através de imagens diretas. Ele está localizado ao redor da GU Psc, uma estrela com uma massa três vezes menor que a do Sol, situada na constelação de Peixes. Mas esta não é a maior surpresa desta observação. O exoplaneta, chamado GU Psc b, está muito distante da sua estrela - cerca de 2.000 vezes a distância entre a Terra e o Sol -, um autêntico recorde. A essa distância, leva aproximadamente 80.000 anos terrestres para que o GU Psc b complete uma órbita em torno de sua estrela. Os pesquisadores aproveitaram essa distância astronômica entre o planeta e sua estrela para conseguir fotografá-lo diretamente. Ao comparar imagens obtidas em diferentes comprimentos de onda, eles foram capazes de confirmar a existência do planeta. "Os planetas são muito mais brilhantes quando vistos em infravermelho, em vez de luz visível, porque a temperatura da sua superfície é mais baixa em comparação com outras estrelas. Isso nos permitiu identificar o GU Psc b," disse Marie-Eve Naud, da Universidade de Montreal, no Canadá. Neste segundo caso, a novidade não é exatamente o exoplaneta, mas a qualidade da imagem. Esta é a melhor foto que já se obteve de um exoplaneta. E é apenas a primeira de uma série. A imagem foi captada pelo Gemini Planet Imager (imageador de planetas Gemini, em tradução livre), um aparelho construído especificamente para isso. Instalado no telescópio Gemini Sul, no Chile, o aparelho está em fase de testes, observando exoplanetas já conhecidos, antes de começar a procurar por planetas extrassolares desconhecidos. "Mesmo estas primeiras imagens são melhores quase por um fator de 10 em relação à geração anterior de instrumentos. Em um minuto estávamos vendo planetas que levavam uma hora para serem detectados," disse Bruce Macintosh, líder da equipe que construiu o instrumento. Ainda neste ano, os astrônomos esperam usar o Gemini Planet Imager para bisbilhotar em volta de 600 estrelas jovens em busca de planetas gigantes. Embora a câmera tenha sido projetada para procurar planetas distantes, ela também pode observar objetos no nosso Sistema Solar. As imagens de teste da lua Europa, de Júpiter, por exemplo, estão permitindo mapear mudanças na composição da superfície do satélite.

Fonte: Inovação Tecnológica

Grande Mancha de Júpiter está encolhendo

Da mesma forma que os anéis de Saturno, a Grande Mancha de Júpiter é a “marca registrada” deste planeta, uma gigantesca tempestade anticiclônica (uma tempestade que gira em um sentido que aparentemente “contradiz” o efeito Coriolis), e é conhecida de longa data – desde 1635, pelo menos. Descrita como sendo “um ponto permanente” por Cassini em 1665, a Grande Mancha de Júpiter está encolhendo. Suas dimensões eram originalmente estimadas em 40.000 km no diâmetro leste-oeste, mas quando as sondas Voyaer 1 e 2 passaram por Júpiter em 1979, a tempestade tinha “só” 23.000 km. Novas medidas feitas pelo Hubble em 1995 apontaram um tamanho de 21.000 km e 18.000 km em 2009. Desde 2012, astrônomos amadores têm ajudado a monitorar a diminuição da mancha e, atualmente o tamanho da mesma é de aproximadamente 16.500 km. As razões para esta redução de tamanho, que segue a uma taxa aproximada de 900 km por ano, ainda não são conhecidas, mas a astrônoma da NASA Dra. Amy Simon-Muller acredita que correntes e ciclones menores estão consumindo a energia da tempestade, causando sua diminuição.

Fonte: Hypescience