sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Análise de imagens antigas revela características ocultas de Urano

O hemisfério sul de Urano parece ser o lar de uma enxurrada de fenômenos atmosféricos anteriormente desconhecidos. A descoberta foi feita pelo astrônomo Erich Karkoschka, da Universidade do Arizona (EUA), que reanalisou imagens tiradas do planeta há 28 anos pela sonda Voyager 2, da NASA. Segundo ele, há recursos ocultos na atmosfera de Urano que revelam um padrão de rotação inesperado e apontam para a possível existência de uma característica incomum no interior do planeta. Na época, pelas imagens que a agência espacial norte-americana tinha, a metade sul do hemisfério sul de Urano parecia ser a região mais suave do sistema solar exterior. Ao trazer à tona diferenças sutis das informações contidas nas imagens da Voyager, Karkoschka descobriu características inéditas na atmosfera de Urano, revelando que seu hemisfério sul gira de maneira diferente de qualquer outra já observada nos planetas gasosos gigantes antes. O cientista experimentou com diferentes técnicas de processamento e software de reconhecimento até que características inéditas apareceram no planeta. Quando ele empilhou 1.600 imagens em cima umas das outras, dezenas de características tornaram-se visíveis onde antes apenas uma era conhecida. “Algumas destas características são provavelmente nuvens convectivas causadas por correntes ascendentes e condensação”, disse Karkoschka. “Algumas das características mais brilhantes parecem nuvens que se estendem por centenas de quilômetros”. As nuvens apresentam ventos com movimentos principalmente a leste ou a oeste, a uma velocidade de acordo com a latitude. “Uma vez que sabemos a velocidade do vento ou período de rotação em cada latitude, sabemos a circulação da atmosfera do planeta”. Em 1665, Giovanni Cassini realizou a primeira medição de rotação de um planeta gigante, quando acompanhou a Grande Mancha Vermelha de Júpiter. Ao longo dos últimos três séculos e meio, os astrônomos entenderam a circulação completa de Júpiter e Saturno, mas somente cerca de 75% da de Urano e Netuno. O novo trabalho de Karkoschka preenche os 25% restantes para Urano. “Todas as observações anteriores dos planetas gigantes indicaram que eles giravam de forma regular, ou seja, as taxas de rotação em suas respectivas latitudes norte e sul eram as mesmas”, disse Karkoschka. “Minha análise sugere que as taxas de rotação nas altas latitudes de Urano são altamente assimétricas, com algumas latitudes do sul, possivelmente, girando em torno de 15% mais rápido do que suas contrapartes do norte”. A hipótese do pesquisador é que a rotação incomum de altas latitudes do sul de Urano é provavelmente devido a uma característica incomum no interior do planeta. Os astrônomos têm tentado encontrar pistas sobre o interior dos planetas gigantes há muito tempo, mas pouco se sabe até agora. Medições detalhadas da rotação de Urano podem ajudar a determinar a estrutura interior do planeta com bastante precisão, eliminando alguns dos modelos propostos por enquanto. Como a maioria dos mais de mil planetas descobertos em torno de outras estrelas fora do nosso sistema solar são semelhantes em tamanho a Urano, mas estão muito longe de nós para sermos capaz de medir seus perfis de rotação no futuro previsível, um melhor conhecimento de Urano ajudará os cientistas a tirar conclusões sobre a estrutura interior desses exoplanetas também.

Fonte: Hypescience

Todos os outros planetas do sistema solar caberiam no espaço entre a Terra e a Lua

Aqui está um fato interessante que você talvez nunca imaginou ou parou para pensar: dá para colocar todos os 7 outros planetas do sistema solar no espaço que há entre a Terra e a Lua. A distância máxima entre a Terra e seu satélite é de 405.500 km. O diâmetro equatorial de Mercúrio é 4.879 km, Vênus tem 12.104 km, Marte 6.792 km, Júpiter 142.984 km, Saturno 120.536 km, Urano 51.118 km e Netuno 49.528 km. Somando tudo, dá 387.941 km. Claro que esta conta só funciona perto do apogeu lunar porque, em média, a distância entre a Terra e a Lua é de 384.400 km. No perigeu, a Lua está a “meros” 363.300 km. Aposto que você não sabia que cabia tanta coisa entre a Lua e a Terra.

Fonte: Hypescience

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Philae detecta moléculas orgânicas no cometa 67P

O Philae, pequeno robô que pousou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, experimentou seus contratempos, que começaram com o pouso turbulento. Em vez de não quicar, ele acabou quicando duas vezes, e foi descansar em uma ravina, com pouco Sol. Ficar em uma ravina com pouco Sol implicava que o bravo robozinho tinha que fazer o máximo de experimentos enquanto durasse a carga de suas baterias, que não teriam recarga. E assim foi. Dando uma chance para cada um dos dez instrumentos, o Philae trabalhou até o fim das baterias, deixando a última reserva delas para transmitir à sonda Rosetta o seu legado científico. E que legado! Nas 64 horas de sua curta vida, o Philae fotografou, cheirou, furou e testou o cometa de todas as formas possíveis. Entre os instrumentos que ele tinha, estava o COSAC, de análise de gases. E é deste instrumento que veio o resultado de que o cometa possui moléculas orgânicas, embora ainda não se tenha certeza se elas se tratam de aminoácidos, que são a base das proteínas. Além das moléculas orgânicas, outro resultado chama a atenção, o do sensor MUPUS. O plano original era perfurar 40 centímetros do chão do cometa, mas a superfície do objeto tinha dureza semelhante à do gelo, maior que o esperado, e ele deve ter conseguido penetrar somente entre 10 e 20 cm. Além da dureza do solo cometário, o MUPUS também mediu a temperatura baixa do 67P/Churyumov-Gerasimenko, de cerca de -243°C. Logo depois do pouso, o MUPUS sentiu uma queda de 10°C na temperatura, mas ainda não se sabe qual o motivo. O SESAME, que faz experimentos elétricos, sísmicos e acústicos, confirmou a dureza do cometa. Além disso, confirmou a presença de bastante água. A mais incrível foi a medição do CONSERT. Nessa experiência, a nave Rosetta enviou um sinal de rádio através do cometa para o Philae, e o Philae então transmitiu um segundo sinal também através do cometa para a Rosetta. Este processo foi repetido 7.500 vezes para cada órbita da sonda Rosetta em torno do cometa, e vai servir para construir uma imagem 3D do 67P/C-G, quase uma “tomografia”. A primeira descoberta é que, no seu interior, o cometa é bem mais poroso. O último experimento parece que não pôde ser executado com sucesso. O SD2 deveria coletar amostras do solo do cometa e passá-las para o COSAC e o PTOLEMY, onde seriam analisadas. Os cientistas têm certeza que a coleta foi feita, mas as amostras não foram passadas para os instrumentos. De qualquer forma, o COSAC foi capaz de sentir o cheiro de vários compostos orgânicos na tênue atmosfera cometária. Por enquanto, a sonda Rosetta está analisando as leituras para determinar se são compostos simples como amônia e metanol, ou alguma coisa mais complexa, como aminoácidos. Os técnicos da ESA (Agência Espacial Européia) esperam contatar novamente o Philae ano que vem, quando o ângulo do Sol sobre o cometa vai iluminá-lo. Uma das vantagens do ponto em que ele se encontra é que vai demorar mais para o Philae superaquecer quando o cometa ficar mais próximo do Sol.


Fonte: Hypescience

Dados do VLT Mostram Alinhamento Assustador de Quasares em Distâncias de Bilhões de Anos-Luz

Novas observações feitas com o Very Large Telescope do ESO no Chile tem revelado alinhamentos sobre as maiores estruturas já descobertas no universo. Uma equipe de pesquisadores europeus encontrou que os eixos de rotação dos buracos negros supermassivos centrais em uma amostra de quasares são paralelos entre sim em distâncias de bilhões de anos-luz. A equipe também descobriu que os eixos de rotação desses quasares tendem a se alinhar com estruturas vastas na teia cósmica onde eles residem. Os quasares são galáxias com buracos negros supermassivos muito ativos em seus centros. Esses buracos negros são circundados por discos de rotação de material extremamente quente que é frequentemente expelido em longos jatos ao longo dos eixos de rotação. Os quasares podem brilhar mais intensamente do que todas as estrelas no resto de suas galáxias hospedeiras somadas. Uma equipe liderada por Damien Hutsemékers da Universidade de Liège na Bélgica usou o instrumento FORS no VLT para estudar 93 quasares que são conhecidos por formarem grandes grupos espalhados por bilhões de anos-luz, vistos num tempo em que o universo tinha cerca de um terço da sua idade atual. “A primeira coisa estranha que nós notamos foi que alguns dos eixos de rotação dos quasares estavam alinhados entre si – apesar do fato desses quasares estarem separados por bilhões de anos-luz”, disse Hutsemékers. A equipe então foi mais a fundo e procurou se os eixos de rotação estavam linkados, não somente entre si, mas também com a estrutura do Universo em grande escala no mesmo tempo. Quando os astrônomos observaram a distribuição das galáxias em escalas de bilhões de anos-luz eles descobriram que eles não estavam distribuídos de maneira aleatória. Eles formavam uma teia cósmica de filamentos e aglomerados ao redor de imensos vazios onde as galáxias eram escarças. Esse alinhamento estranho e belo de material é conhecido como estrutura de grande escala. Os novos resultados do VLT indicam que os eixos de rotação dos quasares tendem a ser paralelos nas estruturas de grande escala onde eles próprios são encontrados. Assim, se os quasares estão num longo filamento então a rotação dos buracos negros centrais apontará ao longo do filamento. Os pesquisadores estimam que a probabilidade desses filamentos serem simplesmente o resultado de coincidência é de menos de 1%. “Uma correlação entre a orientação dos quasares e a estrutura que eles pertencem é uma importante previsão dos modelos numéricos da evolução do nosso universo. Nossos dados fornecem a primeira confirmação observacional desse efeito, em escalas muito maiores do que tem sido observado em dados de galáxias ditas normais”, adiciona Sominique Sluse do Argelander-Institut für Astronomie em Bonn, Alemanha e Universidade de Liège. Essa equipe poderia não ter visto os eixos de rotação ou os jatos dos quasares diretamente. Ao invés disso eles poderiam medir a polarização da luz de cada quasar e, para 19 deles, encontrar um sinal significantemente polarizado. A direção dessa polarização, combinada com outras informações, poderiam ser usada para deduzir o ângulo do disco de acreção e então a direção do eixo de rotação do quasar. Os alinhamentos nos novos dados, em escalas maiores do que as previstas atualmente pelas simulações, podem ser uma posta de que existe um ingrediente faltante nos nossos modelos do cosmos”, concluiu Dominique Sluse.


Fonte: Cienctec